Em 26 de maio de 2026, as autoridades norte-americanas solicitaram à alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, o adiamento em 24 horas da divulgação de dados dos satélites Sentinel-1 e Sentinel-2 que cobrem uma área geográfica específica do Golfo de Omã.
Numa decisão datada de 13 de julho, o Conselho da UE considerou necessário adiar a divulgação destas imagens “para garantir que os dados não são utilizados por países terceiros ou atores não estatais de forma a poderem representar uma ameaça aos interesses da União e dos seus Estados-Membros na região ou aos dos seus aliados”, segundo o jornal oficial citado pela agência France-Presse (AFP).
A área abrangida por esta decisão, mais de 100.000 quilómetros quadrados, corresponde ao setor do golfo de Omã onde os Estados Unidos estão a implementar o seu bloqueio naval contra o Irão.
Em circunstâncias normais, as imagens de resolução média do programa Copernicus são disponibilizadas gratuitamente poucas horas após a passagem dos satélites.
São utilizadas principalmente para monitorização ambiental, agricultura, gestão de desastres naturais e investigação científica.
No contexto do conflito no Médio Oriente, estas imagens de satélite europeias tornaram-se uma valiosa fonte de informação, visto que várias empresas norte-americanas deixaram de fornecer aos media imagens comerciais de elevadíssima resolução da zona de conflito e dos países vizinhos.
“Este é um desenvolvimento extremamente preocupante para todos os investigadores independentes que acompanham esta guerra, particularmente numa altura em que o controlo dos meios de comunicação social e dos líderes políticos norte-americanos está enfraquecido”, alertou hoje o Observatório de Conflitos e Ambiente (CEOBS), uma organização não-governamental (ONG) sediada no Reino Unido, na rede social Bluesky.
“A política da União Europeia em matéria de dados de satélite deve ser independente da pressão dos Estados Unidos”, vincou a organização


